Aterrissou no Aeroporto de Fortaleza, às 9h35 desta
sexta-feira (28), a aeronave com mais de 100 brasileiros deportados dos Estados
Unidos. É o quinto voo a desembarcar no Brasil desde que Donald Trump assumiu a
presidência dos EUA e adotou políticas para deportados estrangeiros ilegais.
A estimativa é que 116 brasileiros estejam no voo, mas o
número será confirmado após uma triagem, conforme a Secretaria de Direitos
Humanos do Estado do Ceará (Sedih).
Quatro passageiros que desembarcaram em Fortaleza têm
restrições na Justiça brasileira e devem ser presos após o desembarque.
Conforme a secretária Socorro França, os quatro brasileiros
com pendências na Justiça serão encaminhados para a sede da Perícia Forense,
onde farão os procedimentos legais de saúde antes de serem apresentados ao
sistema penitenciário estadual. Em seguida, cabe à Justiça definir em que
estado eles devem ficar presos.
Ainda de acordo com a Secretaria, o voo traz também sete
crianças e adolescentes.
Após o desembarque em Fortaleza, será disponibilizado aos
repatriados um novo voo operado pela Força Aérea Brasileira com destino ao
Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (MG), em Confins.
A operação de acolhimento conta também com equipes dos
ministérios da Justiça, dos Direitos Humanos, da Defesa, das Relações
Exteriores e do Desenvolvimento Social, além de equipes da Defensoria Pública
da União (DPU) e da Secretaria Estadual de Proteção Social (SPS).
Segundo a secretária Socorro França, os repatriados que irão
para outras cidades de ônibus, principalmente para destinos da Região Norte, serão
levados para a Rodoviária Engenheiro João Thomé. No terminal, há também uma
equipe de recepção para o grupo.
Ela afirmou que há casos de brasileiros que precisam ficar
em Fortaleza por até dois dias, tendo pessoas auxiliadas pelas equipes do
governo e outras que preferem se hospedar em pousadas ou hoteis da capital.
Desta vez, os repatriados receberão almoço em vez do lanche
oferecido no acolhimento dos voos anteriores.
Até agora, o Brasil já recebeu quatro voos com os
brasileiros repatriados desde o início do segundo mandato de Donald Trump nos
Estados Unidos: um em janeiro, dois em fevereiro e um março.
Nos dois voos de fevereiro, que saíram dos Estados Unidos
com destino a Fortaleza, os passageiros relataram condições degradantes, como
uso de algemas e até 12 horas sem alimentação.
O primeiro voo de deportados da nova era Trump com destino
ao Brasil ocorreu no dia 24 de janeiro. O avião tinha como destino o Aeroporto
de Confins (MG), mas pousou em Manaus (AM) por problemas técnicos. A aeronave
tinha 158 pessoas a bordo, e parte delas desceram em Manaus algemadas, o que
causou mal-estar no governo brasileiro.
O segundo voo com brasileiros deportados chegou no dia 7 de
fevereiro, com 111 brasileiros. Desta vez, porém, o voo tinha como destino o
Aeroporto de Fortaleza (CE), considerado um dos mais próximos dos EUA. A ideia
era evitar que os brasileiros deportados sobrevoassem o território nacional com
algemas. Em Fortaleza, um avião da FAB levou para Minas Gerais os passageiros
que queriam seguir viagem.
O terceiro voo com brasileiros deportados dos Estados Unidos
pousou no Aeroporto de Fortaleza no dia 21 de fevereiro. Dos 94 deportados,
nove eram crianças e dois idosos. Entre eles, havia dois deportados com
mandados de prisão em aberto.
O quarto voo com brasileiros deportados chegou no dia 15 de
março, com 127 repatriados, dos quais 10 eram crianças e adolescentes. Dois
passageiros estavam com mandado de prisão em aberto, um por assalto e outro por
porte ilegal de arma de fogo.
Deportados algemados
A deportação em massa de imigrantes em situação ilegal, isto
é, sem documentação formal para morar no país, foi uma das promessas de
campanha de Donald Trump na corrida pela Casa Branca.
Em janeiro deste ano, a deportação de brasileiros dos
Estados Unidos gerou tensão entre os dois países porque autoridades americanas
queriam transportar os brasileiros algemados no trajeto entre Manaus (AM) e
Confins (MG).
Na ocasião, o voo fretado pelo governo dos Estados Unidos
saiu do estado da Louisiana em direção a Confins (MG), mas precisou fazer um
pouso de emergência em Manaus (AM) em razão de problemas técnicos, segundo o
Ministério da Justiça.
Terceiro avião com brasileiros deportados dos EUA no segundo
mandato de Donald Trump chega a Fortaleza
Antes de o voo seguir para Cofins, as autoridades
brasileiras foram informadas que as autoridades americanas queriam transportar
os brasileiros algemados no restante do trajeto, o que não foi autorizado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou que uma aeronave da FAB
levasse o grupo do Amazonas para Minas Gerais.
Segundo a Polícia Federal, é praxe os cidadãos deportados
dos Estados Unidos serem transportados algemados durante o voo. Integrantes do
governo avaliaram no episódio que, embora a política migratória dos Estados
Unidos caiba ao governo Trump, a partir do momento que os cidadãos chegam ao
Brasil, cabe ao governo brasileiro decidir o que fazer.
Desde então, ficou decidido que os voos com deportados
pousariam em Fortaleza, uma das cidades brasileiras mais próximas dos EUA. A
mudança reduz o tempo em que os deportados passariam algemados no voo.
Por G1 CE
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